Quando ela pediu uma rabada caprichada, bem temperada e cozidinha, a admirei profundamente. Foi a confirmação de minha teoria: “Quem não tem frescura à mesa, não tem frescura na cama”. Era o sinal de que, assim como ela saborearia as partes traseiras do boi, se viraria com prazer para deixar que suas ancas fossem saboreadas. Mulher de fibra, de vontades, de ausência de frescuras.
Sempre associei o sexo à comida – ato antigo -, pois são extremamente parecidos. É por isso que todos comemos gente, que chupamos a carne, lambemos o corpo, degustamos a alma.
Fome é sexo. Sexo é fome.
Sempre ávidos por encher o estômago e a genitália.
Entretanto, pode-se pensar que, quem faz dieta, é um abstêmio em potencial. Nada disso. O indivíduo que se entrega à dieta é o mais desejoso de sexo de todos: ele quer o chocolate que não pode, o açúcar, as gorduras (a se apertar), a dopamina, o proibido, o ausente. É mais tesão, orgasmo ao cubo.
Amo aquela que topa saborear de tudo, amo aquela que se redime de paladares, mas, ainda assim, anseia. A vontade pode ultrapassar a fome – e é exatamente por essa razão que estimo as pessoas que encaram qualquer prato. Assim como ela, que estava apta a engolir rabadas, dobradinhas e doces abarrotados de recheio.
Dizem que o ser humano é estômago e sexo. E concordo.
A propósito: eu como de tudo.